18h01 11/03/2016
Desvalorização do Real gera domínio estrangeiro entre fornecedoras de uniformes no Brasil

A matéria especial dessa semana é algo óbvio e conhecido, mas o importante é que trazemos um panorama em números e uma contextualização detalhada e atualizada que mostra exatamente como um valor de capital estrangeiro se transforma num montante muito maior aqui no Brasil, mesmo que essa semana tenha havido uma pequena valorização do Real no mercado estrangeiro. Com isso dito, fica muito mais fácil que empresas de fora do país se tornem fornecedoras de grandes clubes nacionais. O maior exemplo deste fenômeno é a Dry World, marca canadense (até então desconhecida) que estreou na fabricação de uniformes justamente por aqui.

Apenas para se ter uma ideia, daremos dois exemplos contrastantes, mas que servem para mostrar o poder que esse dinheiro de fora tem atualmente por aqui. O Manchester United fechou recentemente o maior valor de patrocínio com uma marca esportiva (Adidas): 75 milhões de libras (R$ 377 milhões) por ano, mas vale destacar que é um contrato baseado em cumprimento de metas, ou seja, se a equipe for mal nas competições, o valor repassado ao clube é menor. Por aqui, numa realidade completamente diferente, a marca brasileira Topper acabou de fechar com o Botafogo por um valor de R$ 13,3 milhões anuais. Veja a discrepância absurda: R$ 377 milhões dos Devils contra R$ 13,3 mi do Bota. 

Fica impossível de uma empresa com faturamento em Real competir com internacionais em Dóllar, Euro ou Libra. Do outro lado da moeda, os clubes brasileiros ficam atraentes para serem patrocinados por marcas lá de fora pelo “baixo valor”. Esse deve ter sido um dos grandes fatores por que a nova marca canadense Dry World escolheu o Brasil para começar a confeccionar uniformes e a, claro, ser a fornecedora de clubes. E ela não foi modesta, escolheu logo um clube entre os grandes para ser parceira: o Fluminense. Gostou da ideia e ampliou para Goiás e Atlético-MG. Rumores dão conta de que o Santa Cruz deve ser mais um.

Com faturamento em Libra, a inglesa Umbro aproveitou sua retomada no mercado desde o final de 2014, após a aquisição da marca ser feita por um grupo de investidores, e nos últimos meses ampliou sua presença no Brasil. Hoje em dia, fala-se que a Umbro deve assumir o Cruzeiro, retirando mais uma marca nacional da dança, a Penalty. O West Ham, que é um clube mediano na Inglaterra, fechou no ano passado um acordo de 5,75 milhões de Libras por temporada, o que equivale a cerca de R$ 30 mi. O número de clubes no Brasil que recebem esse montante cabem nos dedos de uma só mão.

Com esse quadro e a desvalorização do Real, o clube brasileiro que soube aproveitar isso foi o Corinthians, que havia fechado o acordo de parceria com a Nike utilizando como base o Dólar. Quando a moeda norte-americana estava chegando perto dos R$ 4,00, o clube já tinha passado o Flamengo (R$ 35 mi) e se tornado o brasileiro que mais recebe de uma marca esportiva, cerca de R$ 45 mi na época.



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